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Se a inês sabe disto

Dor de cabeça

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Depois do previsível falhanço da escolha do Porto para sede da Agência Europeia do Medicamento, fruto de uma candidatura que nasceu torta e que nunca se endireitou até ao fim, o governo tomou uma decisão estapafúrdia, que foi a mudança do Infarmed para a cidade invicta.

Quero afirmar sem receio que achei um pouco bacoca a exigência, é o termo, do presidente da câmara do Porto em alterar o candidato português a sede daquele organismo europeu do medicamento, que vai deixar Londres em consequência do Brexit, de Lisboa para o Porto. Razões de substância, para além de que "Lisboa tem tudo", não me apercebi de nenhumas (sim, foi em véspera de autárquicas e poderia ter dado jeito na eleição no Porto, mas pelos resultados, não valeu a pena). Se o edil do Porto andava distraído, a sede era em Londres, capital de Inglaterra e, azar dos Távoras, foi escolhida Amsterdão, outra capital, a da Holanda.

António Costa diz que estava previsto no caderno de candidatura, por uma questão de proximidade. Façam-me o favor, a 300 Km? Longe? E ainda que fizesse sentido essa proximidade, ela desvaneceu-se no momento em que o Porto foi preterido na escolha.

O que o governo deveria fazer e não faz não se sabe bem porquê, é avançar para uma regionalização à séria, que não precisa de referendo para nada, mas ainda assim, se quiser ser picuínhas, que avance com a consulta ao povo e desta vez com uma pergunta simples e directa, para que todos, até os menos letrados, possam entender.

Esta descentralização casuística, ao sabor da maré e das exigências de autarcas e outros figurões, algumas para pagar favores e outras até com sentido e necessárias, dou de barato, não é o caminho.

Neste caso do Infarmed, há ainda os cerca de 450 trabalhadores, com as suas vidas estabilizadas em Lisboa, os seus cônjuges e filhos nos seus trabalhos e escolas, que agora terão que ter uma mudança radical nas suas vidas. Duvido muito da legalidade da medida, neste aspecto particular, mas lá estarão os sindicatos e outros representantes dos trabalhadores, para defender os seus interesses.

O que me parece é que, fruto de uma decisão irreflectida, o governo arranjou aqui, sem necessidade, uma grande dor de cabeça.