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Se a inês sabe disto

Crónica da morte de uma viagem imagina(ria)da

O destino andava há anos a ser adiado.

Finalmente seria desta que nos deslocaríamos a Cuba, quatro parceiros cuja cumplicidade funciona por sinais de fumo: A Patrícia, a Isabel, a Mina e moi mêmme.

A expectativa era elevada e a ansiedade enorme. Depois veio o furacão e "comeu-as"...

Com tal pontaria, a viagem estava marcada precisamente para começar na semana em que o Irma decidiu arrasar as Caraíbas, deixando Havana neste estado:

havana 1.jpg

E lá tivemos que adiar o raio da viagem.

Contudo, como as férias já estavam marcadas, havia que arranjar destino alternativo e foi isso que decidimos precisamente: Ir sem destino!

Saída no Sábado à hora a que deveríamos estar a aterrar no aeroporto José Martí, para que o espírito fosse semelhante. Até demos sinal de partida do aeroporto Humberto Delgado, para que a mímica fosse perfeita.

E lá partimos, rumo a sul, com a primeira paragem em Montemor, para uma bela bifana. Digo-vos já que as melhores são as do bar da rodoviária, mas pronto, fui eu que embirrei parar noutro sítio e ficámos assim  um bocadinho "augados". Adiante! Paragem seguinte em Mértola para comprar um belo pão alentejano e ala em direcção a Altura, onde ficámos. Olhem que a água do mar continua quente! E as conquilhas, fresquinhas que até dói.

Não havia que perder tempo e dois dias depois, ala para Ceuta, depois duma travessia (sem furacões) de Tarifa. Olhem, não atravessem por ali, vão até mais para leste um pouco e atravessem em Algeciras, que a saída por Ceuta (para Marrocos) é muito mais fácil. O raio dos marroquinos fazem de tudo para nos sacar dinheiro logo à saída do ferry e as voltas que se tem que dar para conseguir fugir da alfândega são ainda um bocadinho piores que as do Marão, antes das auto-estradas e do túnel.

Ao fim de mais de uma hora, lá nos vimos livres daquela malta e ficámos por ali, que a noite aproximava-se. Tânger é uma cidade cosmopolita e com a confusão de trânsito de todas as cidades árabes, onde ninguém respeita ninguém, por isso o objectivo era a garagem do hotel e dar uma volta pela medina e trincar qualquer coisa. Tarefa difícil para quem aprecia boa comida, mas com um pouco de boa vontade, lá nos desenrascámos...

tangier_5184a.jpg.cf.jpg

O objectivo seguinte foi Rabat, mais uma cidade louca, onde andam uns loucos sentados ao volante de montes de lata com rodas, uns Mercedes com trinta anos e mais, que enchem até não haver mais lugares ao colo e que buzinam como doidos, fazendo com que o barulho seja assim parecido com o do Poço da Morte da Feira Popular, mas com mais perigo.

No entanto no caminho para lá chegarmos, que percorremos junto à costa, há praias de caír de cú, a perder de vista, mesmo a convidar para tirar toda a roupita e mergulhar. Se pensam que estou a mentir, é ver isto:

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De saída de Rabat, o destino foi Marraquexe, uma viagem rápida por uma estrada com um belo piso, sem descurar no entanto sempre o limite de velocidade, que a polícia de trânsito faz-se notar e em quantidade. Deixámos Casablanca para o regresso. Chegámos ao final do dia, como a foto seguinte bem ilustra:

Marraquexe.jpg

Dois dias, melhor, dia e meio e ala p'ra cima, rumo a Mazagão, antiga possessão portuguesa (entre os séc. XV e XVIII), célebre pela sua fortaleza, construída pelos portuguesas no início do séc. XV e considerada a mais bem conservada de todas as que Portugal foi construindo ao longo da costa africana até à Índia. Aí sim, a estrada era um pouco manhosa, pela montanha e os cerca de 200 Km foram complicados, mas valeu a pena, para ver isto:

Mazagão.jpg

Dia seguinte e saída para Casablanca, que decidimos não visitar, porque o tempo se estava a esgotar, tendo feito directo o trajecto até Tânger e saido de Tarifa para Algeciras e Gibraltar. Vimos um macaco, que era o objectivo, que os ingleses já não autorizam o trânsito automóvel até eo cimo do rochedo, vai-se até um terço e volta-se para trás e já lhe podemos chamar um figo! Para quem conhece, aquelas ruas estreitas onde apenas cabe um carro e com dois sentidos e olhando para baixo, arrepia um pouco... E não se come nada de jeito! De tal forma que já ao cair do dia partimos.

Gibraltar.jpg

E saimos em direcção a Cádiz e ao Porto de Santa Maria, onde ficámos dois dias, com água com uma temperatura excelente e onde se pôde dar vazão à gula, lançando-nos ao pata negra e às tapas e ao vinho e às cañas, bafejados por um sol maravilhoso.

Cádiz.jpg

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Para terminar, Sevilha.

Mais tapas e cañas e flamenco em Triana na Casa Anselma, uma matrona à antiga, que geme mais que canta e cujo objectivo é verificar que os clientes consomem, mas que faz um ambiente muito agradável, apesar de estarem no local provavelmente quatro vezes mais pessoas que a lotação permitida, entre espanhóis, obviamente, portugueses, ingleses, franceses e... não sei se deva dizer... catalães.

Noite bem dormida, visita pela enésima vez aos locais emblemáticos, por a meio do percurso termos encontrado familiares que visitavam Sevilha pela primeira vez e depois de almoço, saída para regresso a casa. Não fomos ao aeroporto, que estávamos já estourados, mas também, cerca de 2700 Km depois a vontade era mesmo encontrar o nosso querido sofá.

Anselma.jpg

sevilha.jpg

 Esperemos que lá para Março não se lembre nenhum furacão de nos estragar a viagenzita... 

 

Nota: Algumas referências desta viagem são um puro exercício de imaginação. Se vos disser que os kilómetros se ficaram pelos 1800, conseguem perceber o que é fictício e o que é real?

 

3 comentários

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Patrícia Teixeira

Edmundo Gonçalves

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