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Se a inês sabe disto

Ardeu a Relva

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 Foto: LUSA

 

Enredado numa teia onde ficaram já presas algumas pessoas que vieram a atingir lugares de relevo na sociedade e na política portuguesas, o comandante nacional da protecção civil demitiu-se ontem, após o ministro do ensino superior e o presidente do politécnico de Castelo Branco terem mandado instaurar um inquérito à sua licenciatura.

Confirmado pelo próprio, o canudo foi obtido graças a umas equivalências atribuídas pela experiência profissional e por formação obtida em Portugal e no estrangeiro, na área da protecção civil, curso que obteve com 90% de equivalências e apenas com 4 exames. O senhor diz que foi frequentando o politécnico durante alguns anos, mas cá p'ra mim terá demorado tanto tempo, à espera que conseguisse uma nova possibilidade de mais uma equivalência. Mas isto sou eu, que já vi uma licenciatura tirada ao Domingo e outra só porque alguém foi membro de um governo.

Há-de haver neste país de (às vezes) faz de conta, muita gente que conseguiu uma licenciatura à custa de equivalências e provavelmente com toda a legitimidade.

Mandaria no entanto o mais elementar bom senso que aqueles que se aproveitaram do sistema se reduzissem  ao anonimato e se eximissem de ocupar cargos públicos, que como se sabe, cedo ou tarde acabam por ser escrutinados, mais não seja por algum adversário ou algum concorrente ao lugar, que isto a gente somos todos amigos mas não deixamos de viver na selva... Mas não, quem com tanta facilidade atropela as regras, sente-se imune à crítica e ao julgamento e tanto mais confiante, quantos mais anos se vão passando. Até que um dia o céu lhes cai em cima e a realidade, amarga, lhes demonstra que a justiça tarda mas não falha.

Protecção civil não é nada a minha área, de modo que não questiono a capacidade técnica do ora demissionário CONAC para o exercício do cargo; Provavelmente até estará tecnicamente habilitado, não necessitando da licenciatura para o exercício da função, senão por exigência legal e aí é que a porca torce o rabo: Ele e alguém com ele, queriam que ele ocupasse aquele cargo, mas, azar dos Távoras, ele precisava de uma licenciatura para tal. Ora, tal como Sócrates, Vara, Relvas e saibamos lá mais quantos, foi escolhido o caminho aparentemente mais fácil, uma licenciatura que acaba por ser fictícia, ou ilegítima, se quiserem.

Não sei bem porquê, mas parece-me que não tendo sido o primeiro, não será o último caso deste género.