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Perdida de amores por Meia Dúzia de bisnagas!

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Fotos: Retiradas do site oficial da marca

 

Não há sabor igual ao de uma compota caseira e isso é ponto assente! Aqueles doces que nos remetem aos cheiros e sabores da infância, quando não resistíamos a mergulhar o dedo na panela para prová-lo, ainda a escaldar. São memórias que preenchem o coração, alimentam a alma e que eu, felizmente, ainda tenho a sorte de poder reviver.

E se é bem verdade que há sabores insubstituíveis, não é mentira que há ideias tão originais que nos conquistam na mesma medida. Um dia destes fui convidada para um jantar de tapas em casa de uma amiga. Na mesa estavam quatro bisnagas de alumínio que mais pareciam de tinta acrílica. Mas afinal eram compotas. E como se não bastasse a minha euforia típica sempre que dou de caras com este tipo de produtos gourmet, ainda descobri que aquelas, em particular, foram especialmente elaboradas para saborear com queijo e presunto. Mesmo não sendo propriamente o sabor tradicional das compotas a que estamos habituados, conquista por isso mesmo...pela fusão de sabores pouco prováveis mas que resultam surpreendentemente bem. Tendo em conta que esta marca portuguesa, que nasceu de um projecto comum de dois irmãos, o Jorge e a Andreia Ferreira, já existe há algum tempo, é bem provável que já se tenham cruzado com a MEIA.DÚZIA. No meu caso foi mesmo amor à primeira degustação. Este formato de embalagem, em alumínio, dispensa o uso de colheres ou facas para barrar e os doces não ficam expostos ao ar após a abertura. 

Quando cheguei a casa dei uma espreitadela no site da marca e descobri uma série de outros produtos, tudo em bisnagas, (chás, mel, chocolates, licores e, claro, as compotas) que, apesar de ainda não ter experimentado, parecem ser tudo de bom! A marca, já recebeu várias distinções a nível nacional e internacional (informação disponível no site).

 

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Eu estava em casa, na Dr. Joaquim Jacinto, só tinha aulas à tarde no Liceu Nacional de Tomar, que ficava ali junto à rotunda e aos “Estaus”, andava no “segundo” ano, creio. A televisão tinha aqueles horários esquisitos, pelo menos o “segundo canal” não funcionava durante todo o dia. A esta distância, 43 anos, acho que emitia de manhã até às 14 ou 15 horas e depois voltava ao fim da tarde. No “segundo canal” dava umas séries juvenis francesas e americanas, algumas delas com alguma piada. Nesse dia 25 de Abril, estava programada a passagem de mais um episódio de Daktari, uma série americana passada na África Oriental e cujos protagonistas eram um leão vesgo e uma macaca; Ou seria de Skippy, uma australiana que tinha um canguru e um miúdo que assobiava com uma folha de uma planta qualquer, por protagonistas? Confesso que a memória já me atraiçoa e a convicção em Daktari não é a mesma desde há dois minutos…

Bom, o que eu sei é que “acendi” a televisão para assistir à série e aquilo tinha ainda àquela hora, p’raí 11 horas, a mira técnica. Nem sequer o tão célebre “pedimos desculpa por esta interrupção, o programa segue dentro de momentos”, que lá colocavam quando havia algum directo e o assunto não agradava ao regime. Passava-se qualquer coisa, a televisão devia estar avariada, devia ser “lá deles”. Eu estava quase nos 14 anos, não ouvia muito rádio, exceptuando os relatos dos jogos do Sporting, de modo que fui esperando que a emissão se iniciasse, de volta de um Tintin, provavelmente, ou de um Falcão.

Por volta do meio dia o meu pai veio almoçar e trazia com ele um exemplar de “O Século”, onde se dava conta do que acontecia e vinha todo sorridente. Nesse dia esse já desaparecido jornal haveria de imprimir um ror de edições, quase cada uma a cada comboio que chegava.

“Veterano” da distribuição de panfletos da UEC no liceu (impressos numa vietnamita, num segredo tão bem guardado que ninguém lá em casa soube até então, apesar de todos jogarmos no mesmo “clube”), embora bastante jovem, aquilo tudo embora fosse novidade (como para todos, quase), não era assunto desconhecido, tinha acontecido o levantamento das Caldas dois meses antes, previa-se que algo estava iminente, de modo que apesar de na televisão, que finalmente chegou à hora do telejornal do almoço, dizer para a malta ficar em casa, eu comi na “broa” e ala para o liceu. Não houve aulas, como seria de esperar, mas houve logo ali ajuntamento para tomar conta “daquilo”. A coisa foi entregue aos mais velhos e até final daquele ano lectivo foi um pouco, digamos… caótica, não diferindo do que se passou um pouco por todo o país. 

E pronto, foi um dia de festa, de libertação e de ajuste de contas com o futuro, que nos foi sendo roubado ao longo de 48 anos.

Um futuro que não é bem como a gente sonhava mas enfim,  é incomparavelmente melhor do que o que tínhamos e que nos impingiam.

Com quase 14 anos, lembro-me do primeiro pensamento nesse dia, relacionado com o que se estava a passar: “Já me livrei da guerra!” É que faltavam apenas cinco anos…

O Bicagas

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Texto de Edmundo Gonçalves

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O meu pai foi taxista. Melhor, foi industrial de táxi, que é muito mais pomposo. Hoje está reformado, vendeu a sua “indústria”. Esse será assunto para uma outra crónica, mas já vão entender porque aparece aqui o meu pai nesta história. Adiante. O Bicagas, de seu nome Álvaro, era cauteleiro, vendia cautelas, lotaria, aquela que hoje é denominada de “clássica”, que a par do totobola, eram os dois jogos sociais que existiam. Vestia impecavelmente, rematando o conjunto sempre com um lenço ao pescoço no lugar da gravata; Creio que visualizam a coisa. Apregoava “há horas de sorte! Ólhó trintinove, andámanhã à roda”, muitas vezes na estação de caminho-de-ferro e na baixa da cidade, parando muitas vezes no Café Paraíso, ali na Corredoura, donde era quase sempre corrido pelo engraxador que ali fazia ponto e que também vendia jogo, e que juro que quando me lembrar do nome ou alcunha, lhes venho aqui comunicar. Era um tipo baixinho, velhote, bastante sisudo e educado, fazia o seu trabalho e não se metia com ninguém, mas que diabo, ali era o seu posto de trabalho e o Bicagas ia ali meter-se? Claro que a razão era o poder de compra dos clientes do Paraíso, à época frequentado pela nata da sociedade tomarense. O Bicagas foi rico duas vezes. Isso mesmo, não sei por que carga de água, mas por duas vezes saiu-lhe “a grande”. Ou porque ficou com as cautelas propositadamente, ou porque as não conseguiu vender em tempo e não teve oportunidade de as entregar antes da extracção dos números, o que é certo é que por duas vezes num curto espaço de tempo, foi rico. Bom, o Bicagas vestia bem, mas a sua diferença com o Cavalo de Pau terminava por aí. É certo que a mulher também não ajudava grande coisa, cozendo-se mais ou menos com as mesmas linhas que o marido. O Bicagas ficou rico, pela primeira vez, não faço ideia da quantia que ganhou, mas à época seria o equivalente ao valor de um duodécimo de hoje, como diria o outro, é irem ver ao site da Santa Casa… O Bicagas tinha, como toda a gente, ambições e desejos que não conseguia atingir se não tivesse sido bafejado pela sorte e entendeu que já que a sorte lhe bateu à porta, era de aproveitar e a partir daí foi viver à grande. Não direi à francesa, porque provavelmente nenhuma francesa derreteria tanto dinheiro em tão pouco tempo. Almoçar e jantar em restaurantes, grandes fatiotas para ambos e tudo o mais que possam imaginar. Aqui é que entra o meu pai. O Bicagas quis fazer uma viagem de avião com a esposa, é normal. Mas digam-me lá, se tivessem possibilidade de fazer um baptismo de voo onde iam? Provavelmente ao Brasil, às Caraíbas, às Canárias, que na época estava na moda, ou mesmo à Madeira ou aos Açores, que nestes destinos mesmo havendo o castelhano para decifrar a malta entende-se. Não senhor, o Bicagas passou pela praça de táxis e disse ao meu pai: “Zé António, amanhã às seis da manhã estás em minha casa p’a levares a gente p’ó Porto”. E no outro dia lá estava o Zé António para transportar o casalinho para a Invicta. Paragem na Mealhada para o leitãozinho da ordem e chegada a Pedras Rubras. O Bicagas e a esposa iam fazer o seu baptismo num voo para Lisboa! “Zé António, agora esperas p’a gente em Lisboa, mas só amanhã, c’a gente vai dar aqui uma volta p’o Porto e vamos amanhã de manhã. Toma lá dinheiro p’ó hotel”. E lá veio o meu pai, sozinho, do Porto para Lisboa. Claro que dormiu em Tomar, em casa e no outro dia partiu para trazer Bicagas e sua esposa de volta a casa. Num ano fizeram milhares de quilómetros no táxi do meu pai. Percorreram o país de lés a lés e algumas cidades espanholas da raia, até que o dinheiro se acabou. A segunda parte da história do Bicagas fica para outra crónica, mas digo-vos já que teve um final triste e vão perceber a referência ao Cavalo de Pau, lá em cima…

Ela preenche vazios...

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É pouco provável que ainda não tenham ouvido falar do projecto Preencher Vazios. Uma iniciativa fantástica da Joana Abreu que, em boa hora, teve esta brilhante ideia para compôr a sua tese de Mestrado. Passou da teoria à prática e hoje, a designer de interiores é reconhecida por desafiar a arte da azulejaria portuguesa, sem nunca lhe faltar ao respeito. Pelo contrário! Nas fachadas de prédios ou edifícios onde faltam azulejos, muitas vezes roubados, ela preenche-os com outros, feitos em madeira, que respeitam o padrão dos que já lá estão. Para tornar a intervenção mais interessante, dá-lhes alma com frases de autores portugueses que nos fazem reflectir sobre a vida e comportamentos do dia-a-dia.  

O projecto nasceu e cresceu no Porto mas já chegou a Lisboa com intervenções que podemos apreciar, por exemplo, na Rua da Vitória (Baixa), na Rua da Junqueira ou Calçada de Santo André. O objectivo fundamental do projecto Preencher Vazios passa naturalmente por sensibilizar a população para a importância de reabilitar essas fachadas destruídas uma vez que o revestimento azulejar português é considerado património nacional e reconhecido internacionalmente como uma arte secular. 

Também podem encomendar uma intervenção ou até oferecer uma prenda única a alguém. Basta que contactem a Joana Abreu através dua sua página do Facebook aqui e ela explica-vos como tudo se processa. 

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Fotos retiradas da página oficial de Preencher Vazios

Às sextas com os Tachos

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Receita de Edmundo Gonçalves

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Pataniscas de bacalhau com arroz de feijão

 

Mais um petisco que uma refeição, ou um petisco que é uma refeição. Cá vai, como sempre para duas pessoas:

 

INGREDIENTES

Para as pataniscas:

1 posta média de bacalhau dessalado

1 e 1/2 chávenas  de farinha de trigo (ou milho se preferir)

½ cebola

1 ovo

1/4L de leite (ou água se for sensível à lactose. Cá em casa usa-se água)

Sal, pimenta e coentros (ou salsa dependendo do gosto)

Óleo para fritar

Para o arroz:

2 mãos cheias de arroz

2dl de água

Feijão previamente cozido (se puder utilizar a água da cozedura tanto melhor) a gosto

¼ cebola

2 dentes de alho

Sal, pimenta e 1 folha de louro

Azeite q.b.

 

PREPARAÇÃO

Pataniscas:

Desfiar o bacalhau e limpá-lo de espinhas e peles. Reservar.

Picar a cebola fininha. Reservar.

Picar os coentros (ou a salsa). Reservar.

Numa taça grande colocar a gema do ovo e juntar o leite (ou a água). Misturar bem.

Acrescentar o sal e a pimenta, os coentros e a cebola picada e de seguida a farinha.

Bater a clara em castelo e reservar.

 

Por fim juntar o bacalhau desfiado, cru, e envolver todos os ingredientes, rectificando a farinha ou o líquido (leite ou água), se necessário.

Deixar repousar durante cerca de 15 minutos, juntar a clara em castelo e misturar bem.

Fritar em óleo bem quente.

Arroz:

Num tacho pequeno colocar um pouco de azeite e juntar a cebola, os dois alhos esmagados e o louro.

Deixar refogar até a cebola estar transparente.

Juntar o feijão com a água da cozedura, bem como o sal e a pimenta.

Deixe levantar fervura e acrescente o arroz.

Coza em lume brando até “abrir” e desligue o fogo deixando terminar a cozedura até ao momento de servir. Este é um arroz que se quer “malandrinho”, com molho, a que pode juntar um pouco de vinagre, se apreciar o gosto.

 

Estas duas etapas devem ser feitas em simultâneo, para que estejam concluídas sensivelmente ao mesmo tempo.

Nota: Se quiser evitar os fritos, pode sempre fazer as pataniscas no forno, para tal deve colocar um papel vegetal num tabuleiro e levar ao forno previamente aquecido a 180º e retirar quando estiverem loirinhas.

 

Bom apetite!

Curly Collection is coming to town…

 

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Lisboa e as suas 7 colinas serviram de inspiração à criação da marca de calçado 100% portuguesa que assume personalidade própria nos modelos que apresenta. A 7Hills Shoes está no mercado há cerca de 3 anos e desde o seu lançamento que vem surpreendendo pela originalidade e conceito nos modelos contemporâneos, citadinos e versáteis, com uma história própria em cada coleção.

Dulce Guarda, criadora da 7Hills Shoes sente um grande orgulho no percurso da marca e reconhecimento que tem obtido a nível nacional e internacional. ‘Este é para mim um momento especial que fica marcado pela apresentação de mais uma colecção inspirada num elemento português – o ferro forjado, a juntar à abertura do novo showroom na cidade que me serve de inspiração’ refere a própria. ‘Neste espaço vão estar expostos alguns dos modelos mais emblemáticos e, claro, as coleções atuais para venda’, acrescenta Dulce.

Os 7Hills Shoes posicionam-se numa gama média-alta cujo principal objetivo é aliar o conforto ao design. Os modelos são 100% couro e caracterizam-se por serem muito confortáveis e adaptáveis a diversas ocasiões, com elegância e versatilidade. O elemento diferenciador passa ainda pela inspiração na envolvência da cidade, onde todos os modelos 7Hills Shoes têm uma pequena história cravada na sola, podendo assim ter a sua própria história de amor a cada passo. 

A primeira coleção da marca foi inspirada no universo da dança. Já a segunda retratava os desenhos e elementos dos azulejos portugueses, uma tradição rica em cor e recortes que tão bem conhecemos. A nova coleção para 2017 apresenta-se com o nome de ‘Curly Colletion’ com inspiração no ferro forjado.

Divulgação de Press Release: Blood.com

 

Outra vez bicicletas

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Lembram-se do Cavalo de Pau, o brilhante ciclista amador que no Verão vendia gelados Rajá calcorreando Tomar? O homem não era nenhum Agostinho, mas atentos os carradões de fome que passava, era um milagre, não só aguentar-se em cima da bicicleta, mas vencer algumas provas para populares que era tradição realizarem-se nas festas de arraial nas freguesias do concelho, durante o Verão. O ciclismo era, à época, bastante popular.

O Manel tinha nestas provas um adversário à altura, o Azeite. Também de nome Manel, o Azeite era um poço de força antes de ir para a tropa e depois para o Ultramar, fazer a guerra colonial. Teria dado um excelente ciclista, sem dúvida, tinha tudo para vencer, como o Cavalo de Pau aliás, mas ambos foram vítimas das circunstâncias. Um, porque tinha assim, digamos... um pequeno atraso e vinha de uma família miserável, o outro porque chegou avariado dos pirulitos da Guiné. O pior cenário da guerra colonial, deu-lhe cabo do juízo e também ele ficou com um pequeno... atraso. Sabe-se hoje que aquilo era stress de guerra, mas os risos histéricos e despropositados, as fugas para debaixo da cama e as conversas sem nexo eram, para aqueles que assistiam e ignoravam, doidice. "O gajo veio maluco lá da Guiné", era o que todos dizíamos, mesmo nós mais miúdos. Não, o Azeite foi uma das milhares de vítimas de uma guerra sem sentido, mas isso fica para outra crónica.

Retomando, o Manel Azeite e o Cavalo de Pau eram em regra os animadores das provas de ciclismo para populares. Havia sempre quem ganhasse, rapazes que chegaram ao Sporting e Benfica, mas havia lá prova que entusiasmasse se não corresse um deles?

Certa vez, no final de uma dessas "corridas", Cavalo de Pau foi "entrevistado" por um engraçado, que usava um microfone sem ligação: "Manel, umas palavrinhas para o Radio Clube Português, como é que foi esta corrida?" "Ó pá, eu nesta Volta a Portugal era gajo pa ter "ganhado", mas no bastecimento déxei cair a banana e óspois purdim as forças e só na caim pó lado porcu Azête me deu uma das dele, era cá uma banana, cum caraças... épá e tamém furim ali nas Algarvias, tinve um azar, mas mêmassim inda conseguim esputar a itapa aqui ó sprinte." E estava estafado, efectivamente. Subnutrido, era um mistério como aquele homem já muito para lá dos trinta, engraxador de Inverno e vendedor de  gelados no Verão, se conseguia manter em cima duma bicicleta e ainda lutar por vencer.

Andava sempre bem disposto e estava sempre pronto a resolver qualquer imprevisto, como fez numa tarde de Abril no estádio municipal. Jogava o União uma partida, a assistência vibrava, o sol brilhava, o Manel andava pela bancada apregoando o seu produto. "Olhó Rajá fxquinho, é frutó chiclate". Entretanto como acontecia quando o tempo era previsível, era normal virem umas pingas de água, afinal "em Abril, águas mil" e começou a descarregar que Deus a dava, a temperatura desceu, levantou-se um ventinho e o Nascimento, um gordo que era caixeiro-viajante grita lá de cima "Manel, na tens gelados quentes?" "Ó sô Nacimento, aqui na tanho, mas ê vô perguntar ó gajo da camineta". E lá saiu a correr do estádio...

Juventude. Um conceito?

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Texto de Edmundo Gonçalves

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O meu avô nasceu em 1915.  Aos 50 anos era um homem velho. A vida diária no campo, nos primeiros tempos de sol a sol, sem protecção, tisnou-lhe a pele e o manejo da enxada e de outros utensílios, deram-lhe cabo do físico. A partir de determinada altura, teria eu os meus 15 anos e ele 60 (como vêm, para os parâmetros actuais foi avô bastante novo, ainda trabalhava os seus bocados de terra e também por conta de outros), eu passei a ser o seu barbeiro oficial. Ao Domingo de manhã, todas as semanas, no alpendre da casa onde hoje vivem os meus pais, entretanto reformada e remodelada, sentavam-se ele, o Chora, o Aníbal e o Charola, todos “rapazitos” da sua idade, cada um no seu “mocho” e aquilo funcionava como uma cadeia de montagem: Uma bacia de esmalte com água, o creme de barbear Gibbs e a gillette. Primeiro ensaboava-lhes a cara a todos, era um pequeno truque, enquanto tinham a cara branca como pais Natal não falavam muito… e não iam à garrafinha do tinto. De seguida começava o corte. O que me causava algum incómodo, era o cuidado que tinha que ter com a gillette, já que corria sempre o risco, que por vezes acontecia, de trazer algum pedaço de pele junto com os pelos da barba. Esta era a consequência da falta de cuidado e a prova de que aqueles homens estavam velhos fisicamente. Era a hora de aplicar o creme 444, que amainava o ardor e ao mesmo tempo ajudava a cicatrização.

Era uma manhã muito gratificante. Aprendi imenso com aqueles “velhos” de quem gostava verdadeiramente. O meu avô porque era o meu avô e não é necessária mais nenhuma razão e os outros porque eram uns velhos porreiros, sempre bem dispostos e sempre com um dichote na ponta da língua, o que fazia deles uns velhos bastante jovens. E faziam questão de pagar pelo serviço! Não tenho memória de alguma vez ter cobrado a barba e o aparar de cabelo (o corte era para profissionais que eu a isso não me atrevia), eu é que deveria pagar pelo tempo que eles me dispensavam e pelo privilégio de usufruir da sua sabedoria, do seu saber empírico, mas também de experiência feito. Já partiram todos. O meu avô Padica poucos dias antes do nascimento do meu filho mais novo, em 1988, próximo do Natal, foi o primeiro. Iriam gostar um do outro, aposto!

Eu hoje tenho quase a mesma idade que eles tinham naquele tempo. Com outras vivências, outro conhecimento, outra forma de vida, mais cuidados de saúde, tenho um aspecto jovem, se comparado com eles. Sinal dos tempos, em que a esperança média de vida aumentou significativamente e a ninguém passa pela cabeça fazer reparo pelos 40 anos de quem quer que seja. Tenho é algumas dúvidas se serão, em espírito, tão jovens como o Padica, o Aníbal, o Chora e o Charola…

Polícias, xerifes e outros pistoleiros (ou a invadir desde 1846)

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Procurando não ser muito exaustivo (há material para uma crónica imensa, ou para uma semanada, se for faseada), eis alguns dos momentos mais importantes da ingerência dos EUA no estrangeiro:

Em 1846 dá-se o debute, com a invasão do México, de que resulta a anexação do Texas. Dura dois anos o desmando.

Menos de cinquenta anos depois,  em 1890, desembarcam em Buenos Aires, Argentina, para defesa dos interesses de empresas americanas sedeadas no país.

Nem um ano se passou e em 1891 os fuzileiros navais esmagam uma rebelião de nacionalista no Chile. Ainda nesse ano invadem o Haiti e acabam com uma revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada por si.

Dois anos depois anexam o reinado independente do Hawai!

No ano seguinte, em 1894, ocupam a Nicarágua.

No mesmo ano e até final de 1895, invadem a China, durante a guerra sino-japonesa. 

Entre 1894 e 96, invadem a Coreia, o que viriam a repetir cerca de sessenta anos depois, entre 1951 e 53, continuando até hoje a ter bases na Coreia do Sul.

Em 1895 lembraram-se do Panamá e toca de fazer também aí uma “perninha”.

Entre 1898 e 1900 voltam à China, que ocupam durante a rebelião Boxer.

Atravessando três séculos, especializaram-se em invasões. Querem ver:

Honduras(8 vezes), Panamá(8), China(6), Guatemala(6), Nicarágua(6), Cuba(5), México(4), R. Dominicana(4), Coreia(3), Haiti(3), Iraque(3), Porto Rico(3), Chile(2), Irão(2), Jugoslávia(2), Laos(2), Líbano(2), Libéria(2), Afeganistão, Albânia, Argentina, Arábia Saudita, Bolívia, Camboja, Colômbia, Egipto, El Salvador, Espanha, Hawai, Filipinas, Grécia, Ilha de Granada, Ilha Guam, Ilhas Virgens, Rússia (URSS), Samoa, Somália, Turquia, Venezuela, Vietname e Zaire. Quarenta e um países, é obra!

Como pode verificar-se fizeram-se notar um pouco por todo o globo, mas é manifestamente no continente americano (América Central e do Sul) que se fizeram notar com mais estrondo. De notar que para além das invasões, há ainda a considerar a interferência em diversos países da América Latina, fomentando golpes e contra-golpes, que foram colocando no poder gente de sua confiança. A preparação do golpe de estado que depôs e levou ao assassinato de Salvador Allende no Chile, pela CIA, e que colocou Augusto Pinochet no poder, é exemplo paradigmático.

Pelo meio ainda tiveram tempo de deixar duas “prendas” no Japão, em Hiroshima e Nagasaky, sendo até hoje os únicos a utilizar armas nucleares e logo contra duas cidades ao que consta desmilitarizadas; Ou seja, onde havia apenas população civil…

Como se vê, não sendo flor que se cheire, o ditador norte-coreano ao lado destes “cóbóis”, é um verdadeiro facínora!

Rota do Eléctrico de Sintra + Prova de Vinho Collares

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As inscrições para este passeio são limitadas, por isso, apressem-se a marcar lugar caso estejam interessados em embarcar nesta aventura. Trata-se de percorrer a pé o trajecto do emblemático Eléctrico de Sintra, com partida da Vila de Sintra, onde iremos seguir os carris de aço... passo a passo, com direito a todas as explicações históricas. A rota passa também por várias Quintas, até chegar a Galamares. Daqui seguiremos viagem até Colares onde irá realizar-se uma prova de vinhos. O trajecto de regresso será feito a bordo do famoso Eléctrico de Sintra, desde Colares até ao centro histórico da vila, com possibilidade de fechar a tarde a saborear o famoso travesseiro na Piriquita. Para o almoço podemos levar merenda ou optar por um restaurante local onde os menus diários são bastante acessíveis.

 

Preço: 15 euros / pessoa

Minímo: 10 participantes - Inscrições limitadas

Crianças até aos 12 anos: 5 euros

A inscrição só fica garantida com a respectiva transf. bancária: NIB: 0033 0000 0010 7863 2250 5. Enviar comprovativo via SMS ou para o e-mail lynxtravel11@gmail.com.

Como fazer a inscrição: enviar por mail nome completo, BI/Cartão de Cidadão e data de nascimento (para efeitos de seguros) depois basta comparecer na hora e no local indicados.

Nota: só serão válidas, para efeitos de seguros, as inscrições solicitadas via e-mail.

Trazer botas caminhada ou calçado confortável, água, reforço alimentar (sandes; barras energéticas, água) e maq. fotografica.

Lynx Travel ® (marca registada) RNAAT nº 221 / 2016 Contacto: José Dias Pereira Telefone - 917940888 Email - lynxtravel11@gmail.com

 

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Cronista Edmundo Gonçalves